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O Que Ficou do Nomad Global Invest Day

Se eu tivesse que resumir o evento em poucas ideias, seriam estas

Participei do Nomad Global Invest Day com a sensação de que o mercado de investimentos no Brasil entrou, de vez, em uma nova fase. Não apenas porque hoje existe mais acesso, mais tecnologia e mais informação, mas porque a qualidade da conversa também começou a mudar.

 

Na minha visão, estes foram alguns dos principais insights do dia.

 

 

Diversificação global não é moda

Esse talvez tenha sido o eixo mais evidente do evento. A diversificação internacional já não pode mais ser tratada como um tema periférico ou como uma resposta eventual a momentos de incerteza local. Para quem pensa patrimônio no longo prazo, ela passou a ser uma necessidade estrutural.

 

O investidor brasileiro hoje opera em um ambiente muito mais conectado ao cenário global. Nesse contexto, diversificar geografias, moedas e classes de ativos deixou de ser diferencial. Passou a fazer parte da base de uma estratégia patrimonial mais resiliente.

 

 

EUA continuam peça central da carteira

 

Nouriel Roubini desaconselhou “apostar contra os Estados Unidos”, defendendo que o país tende a continuar performando bem independentemente de quem esteja na presidência. A ideia central é clara: a força das empresas, das instituições e da capacidade de inovação americana continua sendo um dos pilares mais relevantes da economia global.

 

Para o investidor, isso reforça um ponto importante: exposição aos Estados Unidos não é apenas uma escolha tática. Ela continua sendo parte central da construção de portfólios globais.

 

 

Um mundo mais fragmentado exige mais estratégia

 

O economista Nouriel Roubini descreveu a transição de uma era de globalização para um ambiente de “desglobalização” parcial, com mais unilateralismo, protecionismo e tensão geopolítica.

 

 

Inteligência artificial é vetor de crescimento, não uma bolha

Roubini minimizou o medo de que a inteligência artificial seja pura e simplesmente uma bolha especulativa, argumentando que os ganhos de produtividade e a redução de custos abrem espaço para um “boom econômico secular”.

 

 

Brasil como parte, não como centro da carteira

O evento reforçou, de forma clara, que o investidor brasileiro precisa deixar de enxergar o país como destino quase exclusivo do patrimônio. O Brasil continua relevante, mas deveria ser tratado como um dos blocos da carteira global — e não como seu centro absoluto.

 

Essa mudança de mentalidade é decisiva. Ela reduz concentração excessiva em risco local e amplia a capacidade de construir patrimônio com mais equilíbrio entre oportunidades domésticas e exposição internacional.

 

 

ETFs como ferramenta padrão

 

Outro insight claro foi a consolidação dos ETFs como instrumento cada vez mais relevante para a construção de portfólios. Eles combinam características difíceis de ignorar: baixo custo, liquidez, versatilidade e acesso eficiente a estratégias diversificadas.

 

No Brasil, ainda me parece um mercado subutilizado. Mas o evento reforçou algo importante: à medida que o investidor local amadurece, instrumentos mais simples, eficientes e transparentes tendem a ganhar mais espaço.

 

 

O modelo de assessoria está sendo reescrito

 

Um dos pontos mais relevantes discutidos foi a transformação do modelo de assessoria financeira no Brasil. O mercado começa a sair de uma lógica baseada em comissionamento — e, muitas vezes, em conflitos de interesse — para um modelo mais alinhado ao cliente, com avanço do fee-based e maior transparência na relação.

 

Essa mudança é estrutural. Ela altera não apenas a remuneração, mas a qualidade do aconselhamento, o alinhamento de incentivos e a confiança de longo prazo entre cliente e instituição.

EDUARDO HABER
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